Depois que saí do mundo corporativo, sempre busquei atividades e relações que façam sentido com o que eu entendo ser o meu propósito de vida. Passei a reavaliar o valor das coisas e tento, sempre que possível, refletir se devo investir minha saúde em determinados problemas ou não.

Como parte desse movimento de vida, outra reflexão constante, muito próxima ao meu propósito, é com relação aos meus sonhos, mas primeiro, deixe-me explicar o que é um sonho para mim.

Não gosto de confundir sonhos com metas. Metas são objetivos que você define e devem ser alcançados por alguma razão. E só. Talvez seja preciso alcançar algumas metas para realizar um sonho, mas não gosto da ideia de encarar a vida como uma jornada de objetivos. Um sonho tem um caráter emocional que nenhuma meta na vida vai compensar. Posso até estar colocando algumas definições não ortodoxas das palavras, mas o que quero dizer é que um sonho não é uma obrigação, tem a ver com desejo e realização.

Quando reflito sobre meus sonhos, muito se passa na minha cabeça. Somos influenciados o tempo todo a almejar coisas que por vezes não estão relacionadas de verdade conosco. É o que chamo de sonhos enlatados.

Da mesma forma que as pessoas criam estereótipos e esperam determinados comportamentos, elas também esperam que tenhamos determinados sonhos. E o problema disso é que podemos ser influenciados ao ponto de irmos até a prateleira e comprar aquele sonho que não é verdadeiramente nosso.

Recentemente, presenciei uma conversa curiosa entre amigos de longa data. Um deles dizia ao outro, com certo receio, que havia decidido comprar um apartamento porque queria iniciar uma família. O amigo sonhador, já sabendo qual seria a reação do outro, começou sua frase em tom de brincadeira dizendo assim: “Vou lhe contar algo e espero que você não deixe de ser meu amigo…”

A reação do outro, conforme era esperado, foi em uma escrachada crítica cômica, dizendo que ele tinha coceira desse tipo de coisa e que estava desapontado pelo amigo sonhador ter desistido dos planos de viajar pelo mundo.

Possivelmente foi a participação nessa conversa que me fez escrever esse texto. Percebi que não devemos ter vergonha daquilo que almejamos, por mais que esteja indo na direção contrária do que as pessoas querem para nós. É preciso ter convicção e também aceitar que um executivo de sucesso, pode querer largar a carreira para cuidar dos filhos. Ou que uma cantora de punk rock pode sonhar com um casamento tradicional de véu e grinalda.

Não rotulemos os sonhos. Eles devem ser livres, da mesma forma que os sonhadores.

Quando refletir o que você sonha de verdade, deixe a negatividade de lado e imagine que não existem obstáculos. A sua mente é um espaço livre e ninguém pode criticar seus pensamentos. Se permita pensar no inalcançável. É com esses devaneios que você vai alimentar a vontade de ir atrás do que te faz feliz, e quem sabe até começar a achá-los possíveis.

Se possível verbalize seus sonhos. Não precisa contar para ninguém, mas fale em voz alta ou escreva em um caderno. Esse processo de tirar algo de dentro da cabeça faz com que tudo se torne mais real.

E por fim, não se preocupe em ter mais de um sonho ou em desistir de um e trocá-lo por outro. Nosso propósito de vida muda quando menos esperamos e isso é um movimento natural. Tornar um sonho uma obrigação social é a única coisa que não funciona.


Original: The Sun Jar

Foto: Death to the Stock Photo

 

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